Taca-le postagem sem inspiração

writersblock

Pois Zé.

Postagem sem animo, postagem meio merda, postagem rude… mas é o que ta tendo pra hoje.

Apesar de tentar focar o blog em divulgação e discussão científica (pontuado com postagens de opinião pessoal e artes), o objetivo central dele é me forçar a escrever. Eu já falei bastante sobre essa questão, mas adoto muito fortemente a visão do Stephen King (e de vários outros como o Gaiman), de que a criação, e principalmente a criação artística, é infinitamente mais uma questão de esforço e disciplina do que de “talento natural” ou “inspiração”. E com essa visão, o blog é um jeito que arranjo de me obrigar a escrever semanalmente, melhorando de pouco em pouco minha escrita e expressão pessoal, ao mesmo tempo que crio o hábito de escrever e perco o medo da folha em branco.

O lado bom dessa abordagem é justamente você desmistificar a escrita, tornando ela muito mais semelhante a um ato natural e consciente (e alguns diriam até mecânico). O lado ruim é que inevitavelmente haverão dias ruins se você escreve toda semana.

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Se por um lado houveram semanas que eu estava super inspirado com algum tema, gerando postagens que eu realmente me orgulho (como a análise sobre as cores e espectro de luz, ou então a postagem sobre o uso da arte em jogos), por outro houveram diversas semanas em que a postagem simplesmente não fluía e  surgiram textos bem meio merdas. Felizmente eu sequer lembro quais foram para poder cita-las aqui, mas a sensação é bem conhecida. Exatamente a sensação que tenho agora enquanto escrevo esse texto. O sentimento de querer fazer qualquer outra coisa que não fosse estar escrevendo, a ideia de que não se tem nada a falar, e que mesmo se tivesse, a fala sairia sem sentido para os outros, ou seria simplesmente sem graça.

Mas isso faz parte do processo. Ou pelo menos é o que eu acredito.

Deixar de se criar simplesmente pelo medo de não fazer algo “inspirado” é em geral uma receita fantástica para nunca se tentar. E uma desculpa ainda maior para nunca se treinar. Esse é um ponto curioso. Você nunca vê um esportista falando que só treina quando está “inspirado” ou “motivado”. Existem dias que um ciclista vai estar super empolgado para correr, explodindo de energia. Mas também vão haver os dis chuvosos em que a preguiça é gigante e ele não vai ter saco para ir treinar. Mas ele vai treinar mesmo assim. Porque aquilo é um treino. Aquilo é parte de algo maior, de ele “se construir” como um atleta. Esse ponto muitas vezes não é valorizado, ou sequer reconhecido na arte. Um artista nunca “treina” para melhorar. Ele acorda num dia de sol e cria suas obras primas enquanto toma um café em Paris num dia claro. Ou pelo menos essa é a visão geral, e justamente algo oposto ao que eu prefiro acreditar.

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O que faz um grande artista é uma boina, um cachecol e  uma expressão blasé

Claro que essa filosofia bonitinha e super “auto-superação, o monge e o empresário, uhuuu você consegue, etc” não me impede de ter dias em que eu gostaria de estar vendo vídeos de gatinhos no youtube a estar escrevendo. Principalmente nos dias que eu simplesmente não tenho ideia do que falar. Mas essa é a parte “treino” da coisa. Se esforçar, repetir o hábito e tornar aquilo algo natural, independente de seu humor. E em geral a primeira crítica a esse pensamento é justamente a de que isso “mata” a criatividade, afinal eu estou “mecanizando” um processo criativo.

Depois de quase 7 anos escrevendo no blog, eu felizmente posso falar sem nenhuma dúvida que não.  Um músico treinar todos os dias cifras de músicas repetidas, escalas pre-determinadas e posições de dedos (malditas pestanas), não diminui em nada sua criatividade na hora de compor, ou improvisar. Pelo contrário, é justamente o domínio forte dessas técnicas básicas e mecânicas que lhe darão a liberdade de criar sem se preocupar com esses detalhes. Do mesmo modo, enquanto houveram (diversas) semanas em que me forcei a escrever somente pelo ato de escrever, em momento algum eu senti que essas semanas diminuíram a criatividade dos dias em que estava inspirado. Justamente pelo contrário, o fato de me acostumar com a tela em branco, com me sentar e escrever sem abrir outras janelas do navegador ou “deixar para depois”, foi justamente o que me deixou infinitamente mais tranquilo para escrever naturalmente nos dias de inspiração.

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Não que essa seja a única visão correta das coisas. Evidentemente existem pessoas em diversas áreas com os mais variados métodos de criação. Porém é chato ver como o treino, estudo e esforço dentro das áreas de escrita, pintura e música são coisas vistas em geral como não “originais”, coisas que diminuem uma criação, deixam-a “sem inspiração”.  Enfim, eu comecei a soar como um velho rabugento, o que somente indica que a postagem já ficou grande demais. Com sorte eu mantenho a meta de uma postagem por semana a ponto de ser necessário criar, eventualmente, uma categoria exclusiva de “postagens não criativas rabugentas”. Veremos….

Para não terminar numa nota tão depressiva, segue uma tirinha lindeza sobre o tema; Um bom artista copia, um grande artista rouba.

https://doodlealley.com/2012/11/21/practice-does-not-make-perfect/

E melhor ainda, o incrível discurso do mestre Neil Gaiman, Make good art:

https://zenpencils.com/comic/50-neil-gaiman-make-good-art/

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